Ovos mais caros, o que está por trás da alta nos preços?

Imagem: Romildo de Jesus/Estadão Conteúdo

Pequenos avicultores enfrentam desafios para manter a produção diante da alta nos custos de insumos.

O mercado pernambucano tem observado um aumento expressivo no preço dos ovos nos primeiros meses de 2025. Esse fenômeno tem gerado preocupação entre os consumidores e, principalmente, entre os pequenos produtores do estado, que enfrentam dificuldades para equilibrar os custos e manter a produção.

Fatores que influenciam o aumento dos preços

Diversos elementos têm pressionado os preços dos ovos em Pernambuco. Entre os principais fatores estão:

  • Condições Climáticas: O calor extremo registrado no início do ano afetou a produtividade das aves poedeiras, reduzindo a oferta de ovos.
  • Custos de Insumos: O preço do milho e da soja, principais componentes da ração das aves, acumulou alta significativa desde o ano passado, elevando os custos de produção. Pequenos avicultores do Agreste pernambucano relatam que os gastos com ração representam a maior parte do orçamento, tornando difícil segurar os preços.
  • Demanda Global e Gripe Aviária: A ocorrência da gripe aviária em grandes produtores mundiais, como Estados Unidos, Europa e Ásia, reduziu a oferta global de ovos, impactando diretamente o mercado local, que já enfrenta desafios estruturais.
  • Descartes de Poedeiras: Estudos do CEPEA/ESALQ/USP apontam que, desde janeiro, houve redução na disponibilidade de ovos no Brasil devido ao descarte de aves mais velhas, o que também tem sido uma realidade em granjas pernambucanas.
  • Aumento da Demanda: O período da Quaresma e o retorno às aulas elevaram a procura pelo produto, pressionando ainda mais os preços.

Impacto nos preços ao consumidor e na produção local

Esses fatores combinados resultaram em aumentos significativos nos preços dos ovos em Pernambuco. Pequenos produtores relatam que a bandeja de 30 ovos, que custava em média R$ 34 no início do ano, já ultrapassa os R$ 37 em muitas granjas. Mesmo com o reajuste, muitos produtores afirmam que o lucro não aumentou, pois os custos de insumos continuam subindo na mesma proporção.

Segundo Samara da Costa, Diretora Financeira da Cooperativa dos Avicultores (Coopave), os reajustes nos preços começaram a recuperar os prejuízos acumulados entre novembro e fevereiro. “O custo para produzir uma bandeja com 30 ovos subiu significativamente devido ao aumento no preço do milho, da soja e dos premix, ingredientes essenciais da ração, além de reajustes salariais e elevação nos custos com vacinas e outros produtos de sanidade animal.”

O desafio dos produtores pernambucanos

Em Pernambuco, pequenos avicultores estão sentindo o impacto da crise no setor. Muitos relatam que o aumento nos custos de produção, como ração, embalagens e combustível, tem reduzido a margem de lucro. Até o final de 2024, segundo Samara da Costa, o custo de produção de uma bandeja de 30 ovos era de aproximadamente R$ 11,00, enquanto o preço de venda ficava em torno de R$ 10,00, gerando prejuízo constante para os produtores. Atualmente, com os reajustes, o custo de produção varia entre R$ 12,00 e R$ 13,00, o que ainda não garante um lucro confortável para os avicultores.

Para minimizar os impactos, algumas estratégias vêm sendo discutidas. No entanto, como destaca Samara, não há muitas formas de reduzir os custos, pois a produção segue um padrão rígido. “Não podemos diminuir a quantidade de ração nem reduzir o uso de vacinas, pois tudo isso está diretamente ligado ao bem-estar animal. A automação dos aviários poderia ser uma alternativa, mas os custos para implementação são altos, tornando essa opção inviável para muitos produtores.”

Perspectivas futuras

Especialistas indicam que os preços devem permanecer elevados no curto prazo, enquanto a crise da gripe aviária não for controlada e os custos de produção continuarem pressionados. No entanto, a previsão da Embrapa é de que o mercado se normalize nos próximos meses, com a estabilização da produção e da oferta de ovos.

Quer saber mais sobre economia? Siga a Mercatus nas redes sociais.

VEJA MAIS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais notícias para você