Em crescimento desde 2023, a produção de café em Pernambuco vem consolidando sua força econômica e cultural em diferentes regiões do Estado. Seja no Agreste, com a tradição produtiva de Taquaritinga do Norte, ou no Sertão, com o avanço de projetos em Triunfo, a cadeia produtiva do grão movimenta renda, fortalece pequenos produtores e amplia o turismo de experiência.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Pernambuco produziu 573 toneladas de café em 2024, em uma área de 972 hectares plantados. O maior produtor é o município de Taquaritinga do Norte, responsável por 420 toneladas, em torno de 73% da produção estadual.
Conhecida pelo clima ameno, pelas paisagens serranas e pelo título de “Capital Pernambucana do Café”, Taquaritinga do Norte se destaca nacionalmente pela qualidade do grão, cultivado a aproximadamente 900 metros de altitude. O clima favorável e o sistema agroflorestal adotado pelos produtores contribuem para a produção de grãos especiais reconhecidos dentro e fora do Brasil. A cidade acabou se destacando nacionalmente por manter o cultivo do café arábica, espécie tradicional e de alta qualidade sensorial, adaptada ao clima mais ameno e às maiores altitudes da região.
Proprietário da marca Café Sítio Gameleira, Antônio Salles Barbosa de Menezes produz, em média, 1,5 mil quilos do grão por safra anual. “O café de Taquaritinga do Norte se destaca pela doçura e por transmitir ao apreciador uma sensação única de sabores e aromas típicos de frutas e até florais. Temos cafés especiais que já ganharam prêmios e estiveram em competições internacionais”, destaca o produtor.
Ele reforça que o cultivo local é realizado em sistema agroflorestal, com os cafeeiros integrados a árvores de grande porte e espécies nativas, promovendo equilíbrio entre produção e preservação ambiental.
Outro destaque é o produtor Fidel Borges, responsável pela marca Café das Dállias, que produz cerca de 3 mil quilos por ano. “Uma coisa que a gente se orgulha é de produzir a Arábica Typica, uma variedade rara hoje no mundo. Produz menos, mas, em compensação, tem um sabor diferenciado”, afirma.
A tradição cafeeira da cidade atravessa gerações. Registros históricos indicam que os primeiros sítios voltados ao cultivo do café surgiram há mais de 200 anos, fazendo da atividade parte importante da identidade econômica e cultural local. Atualmente, o café produzido em Taquaritinga do Norte busca a certificação de Indicação Geográfica (IG), o que vai valorizar ainda mais o grão e abrir novos mercados para os produtores.
TRIUNFO
No Sertão do Pajeú, em 2024, Triunfo contava com 30 cafeicultores e produziu 36 toneladas do grão, segundo o IBGE. O município retoma sua vocação histórica para o cultivo por meio de iniciativas que unem produção qualificada, sustentabilidade e turismo. O resgate busca fortalecer a identidade do café local, ampliar mercados e transformar a bebida em uma experiência associada ao turismo já consolidado no município sertanejo.
Produzido em pequenas propriedades, com predominância da agricultura familiar, o café de Triunfo se destaca pela adoção de práticas sustentáveis, colheita seletiva e manejo cuidadoso. A cafeicultura local também evidencia a forte participação feminina no campo, ampliando o protagonismo das mulheres na região. Esse potencial já vem sendo acompanhado pelo Sebrae/PE, que agora consolida sua atuação por meio de um projeto voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva do café, que está sendo executado em parceria com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).
“Queremos posicionar o município como referência em cafés especiais, produzidos de forma sustentável. A ideia é aprimorar o processo produtivo e criar rotas turísticas com vivências nos cafezais, degustações e até um festival do café. Isso resulta em maior valor agregado, diversificação da renda e fortalecimento da economia regional”, destaca Glicia Fonseca, especialista em Agronegócio do Sebrae/PE.
A iniciativa está oferecendo consultorias técnicas especializadas, apoio ao manejo agroflorestal, melhorias na pós-colheita, estratégias de comercialização e posicionamento de mercado. Também está prevista a criação de uma marca coletiva, com identidade visual própria, rótulos exclusivos, obtenção de selos de qualidade e participação em feiras e eventos, fortalecendo o associativismo entre produtores e agregando valor ao café sertanejo.
Assim como ocorre em Taquaritinga do Norte, o café de Triunfo também está em processo de reconhecimento por Indicação Geográfica (IG), com acompanhamento do Sebrae/PE e da Adepe. Com tradição, potencial turístico e produção voltada à qualidade, os dois municípios reforçam a força da cafeicultura pernambucana como vetor de desenvolvimento regional, geração de renda e valorização dos territórios.
RIQUEZAS DE PERNAMBUCO
Os cafés produzidos em Taquaritinga do Norte e em Tracunhaém são tema de um episódio da série “Riquezas de Pernambuco”, produzida pelo Sebrae/PE, que enaltece as cadeias produtivas que impulsionam o desenvolvimento local. A iniciativa é uma forma de reconhecer os protagonistas dessas tradições e revelar como o saber-fazer local transforma vidas e movimenta economias. Os episódios vão ao ar semanalmente, no canal youtube.com/sebraepe.