FII comprou 5 imóveis em Pernambuco, Sergipe e Paraíba por R$234 milhões.
O Grupo Mateus, uma rede de atacarejo com forte presença nas regiões Norte e Nordeste concluiu recentemente algumas inaugurações do empreendimento em cidades importantes do estado, como Caruaru, Recife e Petrolina. A venda de imóveis do Grupo Mateus voltou à tona, levantando questões sobre possíveis implicações para o negócio. Será que essa transação pode ser um sinal negativo?
No início deste ano, o Grupo Mateus vendeu cinco imóveis para o fundo imobiliário TRX Real Estate (TRXF11), em uma transação avaliada em R$234,7 milhões. A negociação teve início no final de 2023 e aguardava o cumprimento das condições contratuais para sua finalização, como informado ao mercado. Isso significa que o fundo agora é o novo proprietário e locador dos imóveis, enquanto o Grupo Mateus continuará usando os imóveis, pagando aluguel ao fundo.
“A companhia informa que, tendo em vista a superação das condições suspensivas previstas, nesta data, formalizou a assinatura dos instrumentos definitivos da operação, incluindo os contratos de locação dos Imóveis”, confirma o comunicado do Grupo Mateus.
O Grupo vendeu dois imóveis, um em Caruaru (PE) e outro em Aracaju (SE), que serão alugados ao Grupo Mateus no modelo “built to suit”. Isso implica que os espaços serão construídos ou adaptados especificamente para atender às necessidades do Grupo Mateus.
Os outros dois imóveis, localizados em Patos e Guarabira, na Paraíba, já estão funcionando como lojas. Nessa negociação, o investidor comprou os imóveis e agora os aluga de volta para o Grupo Mateus, que continua operando neles (Modalidade sale and leaseback).
A negociação é benéfica para o empreendimento?
A venda dos imóveis pelo Grupo Mateus para o fundo imobiliário TRX Real Estate pode ser uma estratégia positiva para as empresas envolvidas por vários motivos. A transação, avaliada em R$234,7 milhões, proporciona uma injeção significativa de caixa que pode ser usada para expandir operações, quitar as dívidas ou até mesmo investir em novos projetos.
Ao não precisar realizar investimentos relevantes na abertura de novas lojas — uma vez que inaugurar um mix Mateus, por exemplo, custa em torno de R$56 milhões —, o Grupo Mateus pode portanto direcionar o caixa gerado na operação para atividades mais econômicas e relevantes, como a melhoria do estoque e a gestão de capital de giro.
Em outras palavras, ao vender os imóveis e continuar ocupando-os por meio de contratos de locação, o Grupo Mateus mantém suas operações sem imobilizar capital em propriedades. Isso permite que o grupo utilize o dinheiro liberado para outras necessidades, como a expansão das operações, enquanto continua a operar nos mesmos espaços por meio do aluguel.
“A negociação é muito benéfica para as duas partes. O fundo imobiliário aumenta seu patrimônio com mais ativos imobilizados e um cliente contratado por um prazo praticamente indeterminado. Para o Grupo Mateus, a transação proporciona mais dinheiro em caixa e elimina a necessidade de investir em CAPEX (abertura de novas lojas), permitindo um uso mais eficiente dos recursos, que pode incluir o pagamento de dividendos”, acrescenta Gabriel Duarte analista CNPI, para a Mercatus.
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