Transação foi avaliada em R$ 825 milhões.
Na última quinta-feira (13), o mundo dos negócios em Alagoas repercutiu o anúncio de compra da Unit Alagoas, uma das maiores instituições de ensino superior no estado, pela Afya.
A transação ficou na casa dos R$ 825 milhões e incluiu também a FITS Jaboatão dos Guararapes, localizada em Pernambuco. Esta é a maior aquisição já realizada pela Afya em número de vagas de medicina e marca a sua entrada no estado de Alagoas, além da ampliação da operação em Pernambuco, onde o grupo já opera a FAMEG, em Garanhuns.
Mas afinal, quem é a milionária responsável pela compra das duas unidades de ensino superior, antes pertencentes ao Grupo Tiradentes? E o que muda, para alunos e professores?
Embora a expressão Afya – que significa “saúde e bem-estar” — tenha origem no dialeto africano suaíli, a empresa se trata na verdade de um grupo brasileiro de educação em saúde, que nasceu da fusão entre a NRE Educacional, maior grupo de faculdades de medicina do país, com a MEDCEL, marca de cursos preparatórios para prova de residência médica.
A primeira faculdade do grupo começou a operar no Tocantins, na região Norte do país, em 1999, quando a empresa ainda era conhecida como NRE. Em 2004, foi realizada a primeira expansão, com a aquisição da UNIVAÇO (Faculdade de Ipatinga) e do IPTAN (Instituto de Ensino Superior Presidente Tancredo Neves), ambas em Minas Gerais.
Foi só em 2019 que a fusão entre a NRE e a MEDCEL deu origem à Afya. No mesmo ano, em julho, o grupo também abriu o capital da empresa fora do Brasil, fazendo sua Oferta Pública Inicial (IPO) na bolsa de valores norte-americana, a NASDAQ.

Expansões no Norte e Nordeste
Na região Norte, em janeiro deste ano, o grupo obteve autorização do Ministério da Educação para abrir mais duas faculdades de medicina, localizadas em Manacapuru — sendo essa a segunda no Amazonas — e em Bragança, a quarta no estado do Pará.
Com unidades no Piauí, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Bahia, Alagoas será o sexto estado do Nordeste com curso de Medicina da Afya. A UNIT Alagoas, que tem 140 vagas de Medicina autorizadas por ano, será o 9º Centro Universitário da rede Afya.
A compra da UNIT Alagoas e da FITS Jaboatão dos Guararapes é a 20ª aquisição da empresa, entre instituições de ensino e healthtechs, desde a abertura de capital, em 2019. Representa ainda a conquista de 10,5% de market share do mercado privado de graduação médica no Brasil.
O que muda para a Unit em Alagoas
Segundo o especialista em gestão empresarial João Ramalho, para os cursos da área de saúde, como medicina e enfermagem, a tendência é que a qualidade de ensino mantenha um bom nível, uma vez que, no último ano, a faculdade alagoana obteve nota máxima do MEC em medicina, alcançando os 5 pontos.
“A Afya tem um perfil direcionado para o setor de saúde e conta com um portfólio amplo de soluções digitais direcionadas à medicina, com histórico de aquisição de diversas healthtechs. O plano da Afya envolve a integração dessas soluções ao sistema de ensino, o que pode contribuir com o crescimento da qualidade do curso”, comenta o especialista.
Já para as graduações que não fazem parte do ensino de saúde, Ramalho acredita que pode haver uma reformulação na oferta, podendo até ocasionar a exclusão de alguns cursos da universidade.
“Existe a possibilidade de alteração na oferta de cursos que sejam deficitários, entretanto, a UNIT, antes dessa aquisição, já tinha feito um movimento similar com a exclusão de cursos como o de Jornalismo, o que talvez indique a saúde financeira dos cursos restantes”, destaca.
A consolidação do setor de ensino superior na área de saúde, para Ramalho, também pode estar atrelada com o fato que, nos últimos anos, as aulas remotas acabaram predominando nas graduações que não exigem atividades presenciais — diferente do curso de medicina.
“Essa tendência demonstra que com o crescimento do Ensino EaD, algumas áreas de ensino passaram a se tornar menos atrativas do ponto de vista mercadológico, direcionando o apetite dos grandes grupos consolidadores para cursos que contam com necessidade do ensino presencial e mensalidades altas”, observa o especialista.