Decisão mais cautelosa ocorre em meio à pressão da inflação, alta do petróleo e incertezas fiscais; mercado agora busca sinais sobre próximos passos
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmou nesta “Superquarta” o início do ciclo de corte de juros, com uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, que passa a 14,75% ao ano. A decisão já era esperada após o mercado rever projeções nas últimas semanas, já que anteriormente se apostava em um corte maior, de 0,50 ponto. Esta foi a segunda Superquarta do ano – em 2026, estão previstas seis ocasiões desse tipo no calendário.
O aumento recente do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionado por tensões geopolíticas, e a resistência da inflação de serviços no Brasil pesaram na decisão. Para Guilherme Fiore, head de Renda Variável da Pequod Investimentos, o Banco Central segue com margem limitada para acelerar a queda dos juros.
“A inflação continua sendo a principal preocupação do Copom. O IPCA de fevereiro surpreendeu, com alta de 0,70%, acima do esperado, e isso levou à piora nas projeções para o fim do ano. Esse cenário exige um ciclo de cortes mais gradual e cauteloso”, afirma.
Petróleo caro e dólar alto pressionam
O ambiente externo também ganhou protagonismo na decisão. A escalada do conflito no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e trouxe mais incerteza para a inflação global. “O petróleo subiu de forma expressiva em pouco tempo, o que pressiona os custos de combustíveis e outros produtos. Além disso, com o dólar elevado, itens importados ficam mais caros, como o trigo, o que impacta diretamente o consumo”, explica Fiore.
No Brasil, a inflação de serviços continua resistente, sustentada por um mercado de trabalho aquecido e renda em alta, fatores que mantêm a demanda forte e dificultam uma desaceleração mais rápida dos preços.
Outro ponto de atenção é o cenário das contas públicas. Segundo Fiore, o Banco Central acompanha de perto a trajetória da dívida e os riscos fiscais. “A dívida pública deve seguir em alta e pode chegar a 83,6% do PIB em 2026. Além disso, há pressões por aumento de gastos, o que reduz a confiança e limita o espaço para cortes mais intensos na Selic”, diz.
Com o corte confirmado, investidores passam a olhar principalmente para a comunicação do Banco Central, que sai nos próximos dias. “O mercado quer entender qual será o ritmo dos próximos cortes e onde a Selic deve parar. As projeções para a taxa final já subiram, o que mostra um cenário mais cauteloso”, afirma Fiore.
Onde investir com juros ainda altos?
Mesmo com a queda da Selic, o nível atual ainda é considerado elevado, o que mantém a renda fixa atrativa. “A renda fixa continua oferecendo ganhos reais interessantes, especialmente em títulos pós-fixados e atrelados à inflação”, diz Fiore. Ele destaca, porém, que o início do ciclo de cortes também favorece outros ativos. “A bolsa tende a se beneficiar desse movimento, e investir no exterior pode ajudar a proteger o patrimônio em momentos de volatilidade. A diversificação é fundamental.”
Sobre a Pequod Investimentos
Fundada em 2019, a Pequod Investimentos, com mais de R$ 4 bilhões sob custódia em ativos no Brasil e no exterior, possui operações no Recife (PE), em Caruaru (PE), Fortaleza (CE) e Maceió (AL). A assessoria nasceu com o propósito de transformar a experiência de investimento para clientes Private e Alta Renda. O nome da empresa tem forte simbolismo, pois foi inspirado no clássico Moby Dick, de Herman Melville. No romance, o Pequod é a embarcação que parte em busca da baleia branca — símbolo dos grandes objetivos humanos.
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