Inflação do aluguel: entenda o índice de tarifas referência no mercado imobiliário

(Foto: Anthony Esau/Unsplash

Em julho, índice acumulou alta de 8,39% para 2022; veja influência no valor do aluguel.

Popularmente conhecido como a “inflação do aluguel”, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) é uma das principais referências no reajuste de preços dentro do mercado imobiliário.

Na prática, isso significa que a variação do índice poderá revelar como ficarão os ajustes de contratos pelos meses seguintes. E não é só para aluguel de imóveis que a referência serve, afinal, a métrica reúne outros três índices sobre preços de itens e consumo.

Medido mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), o IGP-M é composto pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo Mercado (IPA-M), pelo Índice de Preços ao Consumidor Mercado (IPC-M) e pelo Índice Nacional de Custo da Construção Mercado (INCC-M).

Mas sobre o que tratam cada um desses outros indexadores?

Como é de se imaginar pela própria nomenclatura, o IPA-M está relacionado aos custos para produtores, o setor de agricultura e indústria, que podem produzir matérias-primas brutas, como algodão, bens intermediários como o tecido ou mesmo bens finais, como roupas e peças de vestuário.

Por outro lado, o IPC-M trata de itens consumidos na ponta, como alimentação, habitação, transporte, saúde, educação, lazer e despesas diversas. Enquanto isso, o INCC mede o custo da mão de obra, materiais, equipamentos e serviços diretamente relacionados ao segmento da construção.

Analisando esses três indicadores, o IGP-M calcula, então, a variação mensal das tarifas de serviços, que incluem internet, energia elétrica, TV por assinatura, planos de saúde, mensalidades escolares, entre muitos outros.

Últimos resultados do IGP-M

Segundo a última pesquisa divulgada pela FGV, em julho, o IGP-M variou 0,21%, contra 0,59% no mês anterior. O resultado aponta para uma alta de 8,39% no ano de 2022 e de 10,08% em 12 meses.

Em julho do ano passado, o índice havia subido 0,78% e acumulava alta de 33,83% em 12 meses. A próxima pesquisa, com os resultados de agosto, está prevista para ser divulgada no dia 30 deste mês.

Apesar de não medir a inflação oficialmente no país, o IGP-M é um parâmetro muito importante para acompanhar a valorização do real internamente, uma vez que vários fatores e aspectos econômicos são observados na sua composição.

(Foto: Tierra Malorca/Unsplash)
(Foto: Unsplash)

O advogado e especialista em direito imobiliário Charles Vieira explica que a alta recente do indexador tem uma representação negativa, que tende a refletir diretamente no bolso dos consumidores, como os locatários de imóveis.

“O IGP-M serve para medir a variação dos preços, informando se há inflação ou deflação. Portanto, o IPG-M verifica a desvalorização da moeda brasileira, de modo que se o índice subiu significa que o Real tem o seu poder de compra reduzido”, comenta Charles.

IGP-M e o valor do aluguel

Na prática, como o índice mede a variação da moeda e suas consequências nas tarifas de serviços e contratos, a renovação dos contratos de aluguel, principalmente aquela feita ano a ano, também sofre grande influência desses resultados.

“O IGP-M reflete diretamente a política monetária do país. Dessa forma, ele é um índice, atrelado aos contratos, que serve como reajuste dos aluguéis. Ou seja, se o índice sobe o aluguel também”, ressalta o advogado.

Por esse motivo, diversas imobiliárias e empresas do setor utilizam a inflação do aluguel para indicar o valor dos reajustes anuais, conforme a data de renovação do contrato, tendo em comparação o resultado acumulado dos últimos 12 meses do índice.

Isso significa que, se o contrato de aluguel de imóvel venceu em julho de 2022, por exemplo, o valor deste mesmo aluguel no contrato de renovação será calculado tendo como base o IGP-M acumulado dos 12 meses anteriores, até junho de 2021.

Assim, com a alta de 8,39% da inflação do aluguel no ano de 2022, segundo os resultados de julho, quem renovar contrato em agosto já poderá ver esse aumento nas próximas mensalidades do seu imóvel locado.

Outras interferências no preço do aluguel em Alagoas

Quando se trata do mercado imobiliário alagoano, Charles aponta que o processo inflacionário foi maior do que o do país em razão do desastre ambiental do bairro do Pinheiro, que obrigou dezenas de milhares de famílias a procurarem uma nova moradia.

“Essa demanda repentina gerou um processo inflacionário, tendo em vista que Alagoas não estava preparada para absorver um movimento urbano tão intenso e rápido. A conjuntura econômica nacional e as particularidades locais, como o Pinheiro, fazem com que Alagoas sofra uma inflação maior do que o resto do país”, afirma Charles.

Além disso, pesquisas realizadas entre 2021 e 2022 pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP, em parceria com o grupo Zap+, da OLX, revelam que Maceió lidera entre as cidades mais valorizadas do Nordeste.

(Foto: Ascom/Sedetur)
(Foto: Ascom Sedetur)

Como efeito, o metro quadrado na capital alagoana pode chegar a ultrapassar os R$ 6 mil, em diferentes pontos do município, com ênfase nos bairros de Jacarecica e Guaxuma, ambos no sentido no Litoral Norte do estado.

O que esperar da inflação do aluguel nos próximos meses

Os inquilinos e proprietários de imóveis que querem se preparar para as próximas mudanças da inflação do aluguel devem ficar atentos a como o índice se comportou nos últimos três meses, como expressa Charles.

“Não temos como prever o futuro mas podemos analisar o passado, exatamente para isso que serve o IGP-M. Através dele, conseguimos analisar como os preços se comportaram em um passado recente”, aconselha.

O advogado também menciona que, com as medidas adotadas pelo governo Federal para reduzir os preços de itens essenciais, como o combustível, deverá haver uma desaceleração no IGP-M até o final do ano.

Mesmo assim, ficar de olho nos preços praticados no mercado imobiliário é uma boa estratégia para entender como as variações se comportam na prática e os preços que poderão ser encontrados em cada região do estado ou país.

“O mercado é o melhor indicador de preços que existe. Ao analisar o preço do aluguel é necessário verificar o valor do metro quadrado na região, a partir dele verificar a conservação do imóvel para analisar se as benfeitorias daquela unidade justificam um preço superior ao praticado naquele bairro”, completa o advogado.


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Estagiária de jornalismo

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