Novo Tesouro Reserva 24h amplia a disputa com CDBs e redefine a lógica da reserva financeira no Brasil
Durante muito tempo, a reserva de emergência do brasileiro seguiu um roteiro quase automático: poupança, depois CDB de liquidez diária e, para quem avançava um pouco mais, o Tesouro Selic. Esse mapa mental começou a mudar com o lançamento do Tesouro Reserva 24h, um título público criado para resolver antigas limitações do Tesouro Direto e disputar espaço diretamente com os produtos bancários mais populares.
Ao oferecer rendimento atrelado à Selic, liquidez imediata todos os dias da semana e ausência de oscilações de preço, o novo título sinaliza uma mudança estratégica importante: o governo passou a mirar exatamente o dinheiro que hoje fica parado nos caixas dos bancos.
Um produto desenhado para o dinheiro do dia a dia
O Tesouro Reserva 24h foi estruturado para atender uma demanda clara do investidor conservador: previsibilidade absoluta e acesso rápido aos recursos. Diferentemente do Tesouro Selic tradicional, o novo título elimina a marcação a mercado e permite resgates em qualquer dia e horário, inclusive em fins de semana e feriados.
Na prática, isso aproxima a experiência do investidor daquela oferecida pelos CDBs de liquidez diária, com uma diferença central: o risco. Enquanto os CDBs dependem da solidez da instituição financeira emissora e da cobertura do FGC, o Tesouro Reserva tem risco soberano, diretamente ligado à capacidade de pagamento do governo federal.
Esse fator tende a pesar principalmente para investidores mais avessos a risco, que priorizam segurança mesmo em aplicações de curto prazo.
Tesouro e bancos agora competem pelo mesmo dinheiro
Ao lançar um título com vencimento de três anos e foco em liquidez imediata, o Tesouro Direto deixa claro que entrou em um território antes dominado quase exclusivamente pelos bancos. O alvo não são mais apenas outros títulos públicos, mas o dinheiro mantido em aplicações simples, usadas como caixa, reserva de emergência ou capital de giro pessoal.
Essa movimentação pode aumentar a concorrência no mercado de renda fixa, pressionando bancos a oferecerem melhores condições em CDBs, seja por meio de taxas mais atrativas ou maior flexibilidade operacional. Para o investidor, o cenário tende a ser positivo, com mais opções e maior poder de escolha.
Custos e impostos ainda fazem diferença na decisão
Apesar das vantagens operacionais, o Tesouro Reserva não elimina todos os pontos de atenção. Um deles é a tributação. Assim como nos CDBs, o Imposto de Renda incide no vencimento do título, o que reduz o efeito do diferimento fiscal ao longo do tempo.
Já no Tesouro Selic tradicional, o investidor consegue postergar o pagamento do imposto por mais tempo, renovando o título e permitindo que os rendimentos cresçam de forma mais eficiente no longo prazo. Essa diferença pode parecer pequena no início, mas tende a ganhar relevância em horizontes maiores.
Outro ponto que segue no radar é a taxa de custódia, que historicamente acompanha os títulos do Tesouro Direto. Dependendo de como essa cobrança for aplicada ao Tesouro Reserva, o custo pode reduzir levemente a rentabilidade líquida frente a CDBs que pagam 100% do CDI sem taxas adicionais.
Uma nova etapa para a reserva financeira
O lançamento do Tesouro Reserva 24h mostra que a ideia de reserva de emergência não está mais engessada em um único produto. O investidor passa a ter mais alternativas, cada uma com vantagens e limitações, exigindo uma escolha mais consciente.
O novo título amplia o debate sobre eficiência, segurança e simplicidade na gestão do dinheiro de curto prazo. Quando o emissor mais conservador do país decide inovar nesse segmento, o recado é claro: até a reserva financeira pode — e deve — evoluir.
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