Isenção do Imposto de Renda até R$5 mil começa este mês

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

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Imposto de Renda passa a ter impacto direto no bolso de quem ganha até R$ 5 mil, com alívio percebido já nos salários de fevereiro

A atualização da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) entrou em vigor neste início de ano e já começa a alterar a renda líquida de milhões de trabalhadores brasileiros. A partir dos salários pagos em fevereiro, quem recebe até R$ 5 mil por mês deixa de ter qualquer desconto de Imposto de Renda na fonte, enquanto faixas superiores passam a contar com redução gradual da tributação.

A mudança marca uma das maiores ampliações da faixa de isenção da história recente do imposto e tem efeito imediato no orçamento das famílias, principalmente entre trabalhadores formais, aposentados e servidores públicos.

Alívio no orçamento e impacto imediato no consumo

Segundo estimativas oficiais, cerca de 16 milhões de contribuintes passam a ser beneficiados com a isenção total do IR. Na prática, isso significa mais dinheiro disponível no fim do mês para despesas básicas, como aluguel, alimentação, transporte e contas de serviços públicos.

Para quem ganha entre R$ 5.001 e R$ 7.350, o imposto continua existindo, mas com descontos reduzidos de forma progressiva. Acima desse patamar, a tributação segue a tabela tradicional, com alíquotas que chegam a 27,5%.

Especialistas destacam que o efeito da medida vai além do contracheque. Ao aumentar a renda disponível, a nova tabela tende a estimular o consumo, especialmente em setores ligados ao varejo e aos serviços, além de ajudar famílias a reorganizar dívidas ou criar alguma reserva financeira.

Outro ponto importante é que o desconto é automático para trabalhadores com carteira assinada. Os cálculos são feitos diretamente pelas empresas nos sistemas de folha de pagamento, o que reduz a necessidade de ações por parte do empregado.

Justiça tributária e compensação da arrecadação

A ampliação da isenção do Imposto de Renda tem um custo estimado de mais de R$ 25 bilhões em renúncia fiscal. Para compensar essa perda, o governo implementou o chamado Imposto de Renda Mínimo para altas rendas, que passa a alcançar contribuintes com rendimentos mensais acima de R$ 50 mil e aqueles que recebem valores elevados por meio de lucros, dividendos e aplicações financeiras.

A lógica, segundo economistas, é tornar o sistema tributário mais progressivo, reduzindo a carga sobre quem ganha menos e ampliando a contribuição de quem está no topo da pirâmide de renda. A expectativa é que o impacto líquido na arrecadação federal seja limitado, com redistribuição do peso do imposto.

Vale destacar que a mudança não altera, por enquanto, as regras de deduções na declaração anual do Imposto de Renda, como gastos com dependentes, educação ou o desconto simplificado.

Atenção na declaração anual

Apesar do benefício já aparecer nos salários de 2026, os reflexos na declaração do Imposto de Renda só serão sentidos em 2027, quando os rendimentos deste ano forem oficialmente informados à Receita Federal. Para a declaração entregue em 2026, referente aos ganhos de 2025, as regras permanecem inalteradas.

Contadores alertam que quem possui mais de uma fonte de renda deve redobrar a atenção. Mesmo que cada rendimento isolado esteja abaixo do limite de isenção, a soma pode exigir ajuste na declaração anual.

A recomendação é conferir com cuidado o Informe de Rendimentos fornecido pelas empresas e revisar os dados da declaração pré-preenchida antes do envio. Com isso, o contribuinte evita erros e garante que o novo benefício seja aplicado corretamente.

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