Endividamento das famílias se aproxima do recorde histórico e pressiona orçamento doméstico, mesmo com estabilidade no comprometimento de renda
O nível de endividamento das famílias brasileiras voltou a crescer no fim de 2025 e se aproxima do maior patamar já registrado na série histórica do Banco Central. Os dados mais recentes mostram que a relação entre dívidas e renda voltou a avançar, reforçando os desafios para o consumo e para a saúde financeira dos lares em 2026.
Apesar de o comprometimento mensal da renda com pagamentos ao sistema financeiro ter permanecido estável, economistas avaliam que o aumento do estoque de dívidas indica maior dependência de crédito para manter o padrão de consumo, em um cenário ainda marcado por juros elevados e custo de vida pressionado.
Crédito em alta e orçamento mais apertado
Os números divulgados pelo Banco Central mostram que o endividamento total das famílias atingiu 49,8% da renda em novembro, aproximando-se do pico histórico registrado em 2022. Quando são excluídas as dívidas imobiliárias, o indicador também avançou, o que sugere maior uso de crédito para despesas do dia a dia, como cartão de crédito, crédito pessoal e financiamento de bens.
Na prática, isso significa que uma fatia maior da renda futura já está comprometida com dívidas, mesmo que o percentual mensal efetivamente pago ainda esteja sob controle. Especialistas apontam que essa combinação pode indicar uma “zona de conforto aparente”, que esconde riscos para os próximos meses, principalmente se houver novos choques de preços ou desaceleração da renda.
Outro ponto de atenção é o crescimento do chamado crédito ampliado, que inclui não apenas empréstimos bancários, mas também operações com títulos públicos e privados. Esse indicador atingiu níveis elevados em relação ao PIB, mostrando que famílias, empresas e governo seguem recorrendo ao crédito como principal fonte de financiamento.
Para o consumidor, o cenário reforça a importância do planejamento financeiro. Com o endividamento perto do limite histórico, qualquer aumento inesperado nos juros, no custo de serviços essenciais ou no desemprego pode reduzir rapidamente a capacidade de pagamento, elevando o risco de inadimplência.
O movimento também tende a impactar o varejo e o setor de serviços em 2026. Com mais renda comprometida, o espaço para consumo discricionário fica menor, o que pode desacelerar alguns segmentos da economia, mesmo em um ambiente de crescimento moderado.
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