Gasolina mais barata na refinaria não garante queda imediata ao consumidor e reacende debate sobre repasses no setor
Mesmo após o anúncio da redução de 5,2% no preço da gasolina feito pela Petrobras, motoristas em Pernambuco seguem sem perceber queda significativa nos valores cobrados nos postos. A diferença entre o corte na refinaria e o preço final reacende uma discussão recorrente: como funciona, na prática, a formação do valor do combustível até chegar à bomba.
A expectativa de queda imediata esbarra na dinâmica do mercado, que envolve diferentes etapas, custos e estoques adquiridos antes do reajuste. Para o consumidor, o anúncio cria a percepção de que o preço deveria cair automaticamente, mas o caminho entre a refinaria e o posto costuma ser mais lento e fragmentado.
Por que o repasse leva mais tempo
Na prática, os postos não compram combustível diretamente da Petrobras. Quem adquire o produto são as distribuidoras, que depois revendem aos revendedores com base em suas próprias políticas comerciais. Isso faz com que o impacto do corte anunciado pela estatal seja diluído ao longo da cadeia.
Além disso, fatores como o preço do etanol anidro — que compõe a gasolina — e o nível de estoques comprados a valores mais altos influenciam o ritmo do repasse. Em muitos casos, postos ainda estão vendendo combustível adquirido antes da redução, o que limita a margem para aplicar um desconto imediato sem gerar prejuízo.
Outro ponto relevante é que o valor pago pelo consumidor inclui não apenas o preço da gasolina A, mas também tributos, custos logísticos, margens das distribuidoras e dos próprios postos. Por isso, mesmo uma redução relevante na refinaria tende a se transformar em centavos na bomba.
Para especialistas do setor, o episódio reforça a necessidade de mais transparência sobre o papel das distribuidoras na formação dos preços. Enquanto o debate público costuma se concentrar nos postos, boa parte da definição do valor final ocorre antes dessa etapa.
A tendência é que, ao longo dos próximos dias, parte da redução seja gradualmente incorporada, à medida que novos lotes mais baratos entrem no sistema. Ainda assim, o consumidor pode não perceber a queda na mesma proporção anunciada, o que mantém o tema dos combustíveis no centro das discussões econômicas em 2026.
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