Tecnologia é similar a modelo internacional avaliado em mais de R$ 500 mil.
Criada em Alagoas, em 2020, a Otimize, startup do fisioterapeuta e doutor em ciências Natanael Sousa, surgiu com a proposta de tornar mais prático e barato o sistema de análise do movimento humano, usado principalmente em programas de fisioterapia e ortopedia.
A análise de movimentos humanos, também conhecida como biomecânica, é uma ciência importante para o desenvolvimento de tratamentos e métodos que garantam maior qualidade de vida para qualquer pessoa viver longe de dores e problemas de mobilidade.
No entanto, os sistemas mais potentes e eficientes de biomecânica humana, além de demandarem horas de preparação das máquinas e dos indivíduos a serem avaliados, também podem chegar a custar de R$ 500 mil a R$ 2 milhões.
Foram justamente esses problemas que motivaram o fisioterapeuta, que à época cursava doutorado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, a buscar uma tecnologia mais acessível que a utilizada na faculdade.

“Em parte da minha pesquisa de doutorado eu analisava a capacidade de salto e de movimento de atletas de basquete. Lá [na USP] se usa um sistema de análise de movimento por câmeras infravermelhas que são consideradas padrão ouro mundial hoje”, conta.
Contudo, apesar do altíssimo padrão de qualidade, Natanael já adianta os empecilhos enfrentados durante o processo de uso do sistema.
“Eu tinha que chegar uma hora e meia antes das avaliações para calibrar todo o sistema, preparar o atleta para ele dar um salto de dois ou três segundos. E os equipamentos são absurdamente caros, na faixa de meio milhão até dois milhões de reais”, explica.
Mas então, o que a Otimize faz?
A Otimize oferece um sistema com base em sensores inerciais de movimento, os mesmos equipados em celulares e responsáveis por rastrear e captar os movimentos do aparelho, incluindo deslocamento e giro.
No caso do sistema da Otimize, esses sensores são posicionados ao longo do corpo com o objetivo de captar os movimentos das articulações em três dimensões. Com isso, os registros captados são enviados via Bluetooth para um aplicativo próprio do sistema.
No aplicativo, os dados são utilizados para gerar os relatórios e informações para qual a análise esteja sendo proposta, podendo servir tanto para pessoas com dificuldades ou problemas de mobilidade, quanto para atletas e profissionais de qualquer área que busquem melhorar seu bem-estar físico.
Confira abaixo o sistema sendo utilizado:
“Então os sensores servem para qualquer atividade que faça a análise da biomecânica humana em 3D, sejam movimentos esportivos, seja na ergonomia, seja na ortopedia, fisioterapia. Existem várias aplicações e subnichos”, afirma o criador da empresa.
A tecnologia idealizada por Natanael consegue ainda eliminar os custos com os equipamentos e câmeras infravermelhas, além de reduzir significativamente o tempo necessário para fazer a análise biomecânica.
Segundo o fisioterapeuta, o valor inicial de investimento para profissionais e empresários que se interessarem pela ferramenta deverá girar em torno de R$ 24,5 mil e a previsão é que ela esteja disponível no mercado já no início de 2023.
Saúde e tecnologia
A Otimize é formada por uma equipe interdisciplinar de diversas áreas da saúde, porém, para que o projeto de Natanael pudesse sair do papel, ele também precisou contar com a colaboração de programadores de software e hardware para desenvolver a parte de tecnologia.
Segundo o cientista, desde a fase de idealização da startup até os dias de hoje, o principal desafio da empresa foi conseguir contratar profissionais qualificados para o desenvolvimento das soluções que o projeto exigia.
“Depois da pandemia, a gente teve uma corrida muito grande por novas tecnologias, por desenvolvedores de hardware e principalmente de software e houve uma escassez muito grande no mercado. Esse problema já foi resolvido, já temos uma equipe bem formada, mas foi o que dificultou bastante”, destaca o doutor.

Com essa dificuldade sanada, a Otimize acabou por resolver um problema ainda maior de tecnologia para a biomecânica no Brasil. Isso porque, os demais sistemas de análise de movimento, como o utilizado pela USP, não são produzidos nacionalmente.
Portanto, os trâmites de importação e tributação da tecnologia importada acabam por encarecer ainda mais o sistema. Agora com uma alternativa similar desenvolvida e produzida em solo alagoano, a tendência é que mais pessoas possam se beneficiar.
“O objetivo é trazer um produto de qualidade próxima do padrão ouro por um valor acessível a grande parte dos profissionais da área da saúde que não teria como desembolsar de meio milhão a dois milhões neste produto”, enfatiza Natanael.
Startup acelerada
No mês de maio, a Otimize foi selecionada para a fase final do programa de aceleração Lagoon Startups, que visa impulsionar o desenvolvimento do ecossistema de startups de qualquer área em Alagoas.
O programa teve, ao todo, quatro etapas, sendo a fase final a de aceleração, na qual até 12 startups receberão, cada uma, um incentivo de R$ 55 mil para impulsionar suas empresas.