Indústria 4.0 já é realidade, mas Alagoas ainda caminha a ‘passos lentos’

(Foto: Conect Automação/Cortesia)

Falta de infraestrutura dificulta adesão da tecnologia pelo setor produtivo.

Para quem trabalha com tecnologia ou está de olho no que acontece dentro e fora das fábricas mundo afora, o termo Indústria 4.0 não deve ser nenhuma novidade. No entanto, em Alagoas, essa revolução tem chegado bastante tímida.

A Quarta Revolução Industrial, como também pode ser chamada, é o resultado de outras três gerações de transformações nos parques fabris, que acontecem desde o século 18. Agora, com o incentivo tecnológico, a proposta é tornar as fábricas mais “inteligentes”.

“Essa quarta revolução é mais voltada para a digitalização de informações, dados, nuvens, novos sistemas de tecnologia, inteligência artificial, robótica e internet das coisas”, explica Ericsson Henrique, CEO da Conect, empresa alagoana de automação industrial.

Segundo o empresário, a Indústria 4.0 é capaz de agilizar a comunicação e o funcionamento dos processos de produção de um determinado produto, influenciando diretamente no resultado das indústrias de forma positiva. 

Porém, apesar da rapidez com que os novos softwares e hardwares se espalham pelo mundo, Alagoas enfrenta dificuldades para acompanhar os avanços. Essa dificuldade, ora se dá pela falta de informação, ora por questões logísticas e estruturais defasadas no estado.

“Estamos distantes do eixo principal do Brasil quando se fala de tecnologia, que é São Paulo. E a nossa logística é complicada no país, o que faz com que as coisas cheguem aqui um pouco mais lentas e também mais caras”, pontua Ericsson.

Alagoas distante do cenário brasileiro

Como resultado dos altos custos para fazer com que os equipamentos cheguem até o estado e as taxas de impostos que encarecem ainda mais o investimento, as fábricas alagoanas acabam ficando atrasadas em relação ao desempenho nacional.

“Alagoas ainda anda em passos lentos. Eu tenho pouquíssimos registros de atividades de Indústria 4.0, são coisas pontuais. A gente não tem ainda uma indústria completamente adequada, o que está bem distante do cenário brasileiro”, comenta o CEO da Conect.

A realidade do estado fica mais crítica se comparada a estados vizinhos, que já começaram a investir fortemente na modernização do seu setor produtivo. Por consequência, essas empresas podem ganhar muitas vantagens competitivas frente à indústria alagoana.

Painel elétrico para usina de açúcar e álcool com sistema da indústria 4.0 em Sergipe. (Foto: Conect Automação/Cortesia)

“A gente tá distante, inclusive, do cenário de Sergipe, por exemplo, onde eu conheço duas indústrias que já aderiram ao 4.0, não estão 100%, mas estão bem avançadas e acredito que, no máximo, de 3 a 5 anos elas estarão completamente adequadas”, reflete Ericsson.

No caso das usinas de açúcar, que dominam a produção industrial do estado, não é possível mensurar quanto tempo essa transformação pode levar, visto que os processos de adequação ainda não iniciaram.

“O mais difícil da indústria 4.0 não é ela existir, mas é ser implementada, porque a indústria precisa ter uma infraestrutura capaz de recebê-la. Para essa transformação acontecer, o setor produtivo vai ter que adequar sua estrutura física”, reitera o empresário.

“Com certeza, as indústrias que têm processos já automáticos e uma linha de produção como as de automóveis e algumas empresas alimentícias, elas vão ter resultados muito mais rápido”, enfatiza.

Necessidade de informação e infraestrutura

Para Ericsson, o processo necessário para Alagoas alcançar o nível nacional de tecnologia nas fábricas deve começar pela informação. Isso pois, de acordo com ele, parte do setor produtivo sabe da Indústria 4.0, mas não entende como ela é aplicada efetivamente.

“Na Conect Automação nós tentamos aplicar isso há dois anos e muitos clientes não conseguem entender que é uma necessidade para o futuro e acabam pensando só no preço. Só que daqui a dois ou três anos eles vão precisar comprar outro produto”, revela.

Segundo ele, isso deve acontecer porque, mesmo os equipamentos tendo um tempo de vida útil longo, estes não serão eficientes o bastante para que a empresa tenha os resultados e crescimento esperado, considerando o progresso tecnológico das outras indústrias.

O empresário acredita que a melhor solução para esse problema é levar o conhecimento para fora das instituições de ensino. Isto é, mostrando como cada recurso de software pode ser aplicado nas fábricas e contando com incentivos do governo.

“A gente tem que começar a tratar isso também fora das escolas e das universidades, indo diretamente no parque fabril, criando um entendimento. O governo também tem que cooperar. Depois que as pessoas souberem que vão ter que investir primeiro em infraestrutura, aí sim vamos conseguir implementar isso no estado”, argumenta.

Para ele, mais do que lucros para as empresas, a absorção dessas tecnologias poderá ampliar a escala de negócios em Alagoas, gerando novas atividades profissionais e aumentando a demanda pelo ensino profissionalizante para essa área.

“Isso é o futuro que nós já estamos vivendo, é o que vai acontecer daqui para frente em todas as indústrias do mundo”, aposta Ericsson.

Iniciativas em andamento

Em 2021, o Senai Alagoas se mostrou favorável ao incentivo da Quarta Revolução Industrial no estado, dando vez para iniciativas como o HUB de Inovação e Tecnologia e o Programa Geração do Hoje (GdH) Indústria.

O HUB do Senai, por exemplo, está aberto para empresas, empreendedores e qualquer pessoa que tenha uma ideia inovadora e precise de suporte técnico para desenvolvê-la. O espaço conta com um protótipo de Indústria 4.0 que simula algumas funcionalidades possíveis para diferentes tipos de fábricas.

Por outro lado, o GdH, promovido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e a Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti), selecionou 15 projetos relacionados a hardwares e softwares da Indústria 4.0 para receber um fomento de R$ 20 mil.


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Estagiária de jornalismo

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