Alagoanos criam ‘Netflix’ para psicólogos; conheça modelo de negócio

(Foto: Reprodução/Ser Psicólogo)

Empresa surgiu para driblar dificuldades de ensino durante isolamento na pandemia.

Já imaginou acessar uma plataforma de streaming com aulas específicas para sua área de atuação, com certificados de participação? Essa é a proposta da Ser Psicólogo, que vem ganhando mais espaço no mundo virtual dos negócios.

O site, criado por alagoanos, oferta cursos voltados para profissionais e estudantes da área de Psicologia, feitos por professores especialistas nos temas, além de talk shows, curiosidades, encontros com especialistas e outros materiais inclusos na assinatura.

Idealizada pela professora Margarida Ferreira e pelo empresário de marketing digital Édel Guilherme Pontes, a ideia da “Netflix” da psicologia surgiu durante a pandemia, já que o ensino presencial foi afetado por conta das medidas de isolamento.

“A professora Margarida lecionava frequentemente cursos de formação em Psicoterapia Breve, área em que é especialista, e me buscou para levar isso para o online. Tivemos excelentes resultados e, após certo tempo, veio a ideia da plataforma”, explica o sócio Édel Guilherme Pontes.

Realizando a assinatura, o usuário tem acesso a aproximadamente 400 aulas, divididas entre 25 cursos. O assinante pode escolher qual conteúdo deseja assistir naquele momento.

(Foto: Reprodução/Ser Psicólogo)
Catálogo do serviço de streaming é voltado para profissionais e estudantes da área de Psicologia. (Foto: Reprodução/Ser Psicólogo).

O modelo de negócios vem se tornando cada vez mais popular, e já conta com serviços semelhantes voltados para conteúdos jurídicos (Notorium Play), ensino de inglês (Ororo.tv), e educação física (EducaFit), por exemplo.

O boom da Educação no digital

Com os impedimentos que o isolamento social trouxe, como o acontecimento de aulas presenciais, o modelo de negócio surgiu como uma forma de continuar com o trabalho que era realizado antes da pandemia, de maneira mais atual e dentro da nova realidade que envolvia, por exemplo, o home office.

Assim como as plataformas de filmes, as aulas podem ser acessadas pelos assinantes quando e de onde quiser.

De acordo com Pontes, a adesão durante a quarentena foi muito grande. O sócio destaca que, atualmente, o site conta com um crescimento de 15% ao mês em relação ao início da plataforma: são 3 mil assinantes, e a fonte de receita é majoritariamente formada pelo valor das assinaturas.

“Porém, também temos a Ser Psicólogo Academy, que é uma outra plataforma voltada para venda de cursos avulsos de formação. Basicamente, são cursos mais extensos e aprofundados, que não se encaixam muito bem numa plataforma de assinatura”, destaca o sócio.

Modelo pode ser aplicado em outras áreas

Segundo a analista de Relacionamento Empresarial do Sebrae, Thayná Brito, as Edtechs (empresas que usam tecnologia para criar soluções inovadoras na área de educação) vêm criando modelos de negócios que acompanham as novas formas de consumo de conteúdo e entretenimento, além de democratizar o acesso ao ensino.

Por sua vez, as empresas estão impactando diretamente na capacidade de foco e atenção das pessoas, transformando as formas de aprender e ensinar, de acordo com a analista.

Uma dessas soluções é a “importação” do modelo Streaming On Demand do entretenimento para a educação, que possibilita a transmissão de conteúdos pela internet sem necessidade de download, permitindo também que o usuário assista o que quiser, quando quiser.

Para a analista, investir nesse formato de negócios voltado para a educação pode trazer uma série de benefícios. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa Finder, o Brasil é o segundo país que mais consome o serviço de streaming no mundo.

“O primeiro [dos benefícios] é a familiaridade dos clientes com o modelo. As pessoas já estão familiarizadas e já sabem como funciona o serviço. A grande vantagem aqui é não precisar investir muito tempo ou dinheiro ensinando os alunos a usar a ferramenta. Com o streaming, ao invés de comprar apenas um curso, o aluno paga um valor mensal e tem acesso a todo o catálogo, garantindo um melhor custo-benefício para os usuários e a autonomia no aprendizado. A ideia é que a variedade do portfólio e as constantes atualizações e novos conteúdos incentivem o aluno a continuar estudando, o que levaria a renovação da assinatura tornando o modelo rentável”, destaca.

(Foto: Reprodução/Ser Psicólogo)
Serviço permite que usuário acesse o conteúdo por diversos dispositivos a qualquer momento. (Foto: Reprodução/Ser Psicólogo).

Brito explica que a criação dessas plataformas voltadas para nichos profissionais tem tendência a se tornar cada vez mais comum, já que com as novas tecnologias, surgem demandas por novas profissões, habilidades ou técnicas que ainda não são desenvolvidas pelos métodos tradicionais.

Para quem deseja iniciar qualquer tipo de empreendimento, incluindo o modelo de serviço de streaming, a especialista explica que é necessário fazer um planejamento, definindo para quem o serviço é direcionado, qual o foco para essa estratégia, o tipo de conteúdo disponibilizado, além de estudar o mercado e entender o público em potencial.

“Hoje em dia já existem plataformas White Label que oferecem a possibilidade de adquirir uma plataforma de streaming pronta, o que reduziria o custo de desenvolvimento. Uma outra opção é contratar desenvolvedores para criar a plataforma de streaming do zero. Seja qual for a opção escolhida, traçar um plano de negócios e um orçamento bem definidos são passos importantes para tirar a sua ideia do papel e começar a colocar o seu negócio em prática”, explica.

A analista ressalta ainda que um dos desafios para quem quer ingressar nesse segmento é o desconhecimento sobre o mercado e os custos do serviço para os consumidores.

“Um outro desafio é a capacidade econômica dos consumidores em assinar e pagar tantos serviços diferentes de streaming. Quanto maior o amadurecimento do mercado, maior a necessidade de se diferenciar, atender às demandas da audiência e fidelizar o usuário”, conclui.

Próximos passos

O sócio da Ser Psicólogo diz não ter passado por dificuldades durante o processo de criação da plataforma, por já possuir experiência com esse tipo de trabalho.

Já sobre os planos futuros, a startup possui metas de assinantes, e pensa em realizar eventos próprios, como congressos e palestras. “Além disso, temos planos de desenvolver uma plataforma única, com um aplicativo exclusivo, mas é um passo grande que ainda estamos avaliando”, completa.

A plataforma pode ser acessada clicando aqui.


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