A falta de acesso à água e esgoto impacta não só a qualidade de vida em Pernambuco mas também o desenvolvimento econômico do estado.
O acesso a saneamento básico vai muito além da infraestrutura. Ele reflete diretamente na saúde pública, na educação, na economia e na dignidade da população. A ausência desse serviço essencial cria um ciclo de vulnerabilidade social, onde doenças se proliferam, a produtividade diminui e o potencial de crescimento das comunidades é limitado. Em Pernambuco, essa realidade ainda é um desafio, mas novos investimentos prometem transformar o cenário.
Um desafio persistente no estado
Embora grande parte da população pernambucana tenha acesso à água tratada, a coleta e o tratamento de esgoto ainda estão longe do ideal. Dados do Tribunal de Contas do Estado apontam que apenas 34,2% do esgoto gerado no estado é coletado e tratado, enquanto mais da metade dos municípios sequer possuem um Plano Municipal de Saneamento Básico. Além disso, centenas de obras nessa área permanecem inacabadas, atrasando o avanço necessário para garantir um serviço eficiente.
A falta de saneamento se reflete na saúde pública, com o aumento de doenças de veiculação hídrica, e na desigualdade social, já que as populações mais vulneráveis são as mais afetadas. Sem um sistema adequado, crianças faltam à escola por problemas de saúde, famílias gastam mais com tratamentos médicos e as cidades perdem em qualidade ambiental.
Para reverter esse quadro, Pernambuco está prestes a receber uma grande movimentação de recursos voltados ao setor de saneamento. Estima-se que os leilões previstos para o estado injetem aproximadamente R$ 19 bilhões em infraestrutura, com foco na ampliação da cobertura de água e esgoto. O modelo adotado prevê que a companhia pública estadual continue responsável pela captação e tratamento da água, enquanto a concessão abrangerá municípios do Sertão, da Região Metropolitana do Recife e do arquipélago de Fernando de Noronha.
A expectativa é que essa concessão viabilize investimentos expressivos, com R$ 2,8 bilhões sendo aplicados na primeira fase do projeto e outros R$ 16,1 bilhões na etapa seguinte. Esses recursos serão fundamentais para modernizar o setor e garantir um avanço significativo na universalização dos serviços.
Impacto econômico e social
Além da melhoria direta na qualidade de vida da população, os investimentos no saneamento básico impulsionam a economia local. Obras de infraestrutura geram empregos, movimentam setores como construção civil e engenharia e aumentam a arrecadação municipal. Com mais municípios atendidos, reduz-se a incidência de doenças e a sobrecarga no sistema de saúde, permitindo que recursos públicos sejam realocados para outras áreas essenciais.
A modernização do saneamento também fortalece o potencial de crescimento das cidades, tornando-as mais atrativas para novos negócios e investimentos. Com água tratada e esgoto adequado, regiões que antes enfrentavam dificuldades podem se tornar polos de desenvolvimento sustentável, garantindo um futuro mais equilibrado para Pernambuco.
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