Com força do Sertão, crescimento do PIB municipal revela nova dinâmica econômica em Pernambuco
O mapa econômico de Pernambuco ganhou novos contornos em 2023. Dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) estadual foi impulsionado, sobretudo, por municípios do interior — com destaque para uma cidade do Sertão que registrou expansão próxima de 40% em apenas um ano. O movimento revela mudanças importantes na distribuição do crescimento econômico e reforça o protagonismo de atividades ligadas ao agronegócio e aos serviços regionais.
Interior assume protagonismo no crescimento
Lagoa Grande, localizada no Sertão do São Francisco, liderou o ranking de crescimento econômico entre os municípios pernambucanos em 2023, com alta de 38,6% no PIB a preços correntes. O avanço é mais de três vezes superior à média estadual e fez o município subir posições relevantes no ranking das economias locais.
O desempenho está diretamente ligado à consolidação da fruticultura irrigada, especialmente a produção de uvas voltadas tanto ao mercado interno quanto à exportação e ao processamento vinícola. A agricultura responde por mais de um terço do valor adicionado municipal, refletindo investimentos em tecnologia, logística e serviços associados à cadeia produtiva.
O fenômeno não se restringe a Lagoa Grande. Outros municípios do interior também apresentaram crescimento expressivo, indicando uma expansão mais disseminada fora da Região Metropolitana do Recife. Cidades do Agreste e do Sertão aparecem entre as maiores altas, impulsionadas por atividades agropecuárias, comércio regional e serviços.
Enquanto isso, a capital Recife manteve sua relevância econômica, com crescimento de 10,4%, próximo à média estadual, mas abaixo do ritmo observado em diversos municípios do interior. O dado sugere um movimento de desconcentração do crescimento, ainda que o peso econômico da capital continue determinante.
Interior assume protagonismo no crescimento
O avanço acelerado de municípios do Sertão e do Agreste indica uma mudança gradual na dinâmica econômica de Pernambuco. Embora o setor de serviços ainda concentre grande parte da riqueza estadual, o fortalecimento da produção agrícola, aliado à expansão da infraestrutura e dos serviços regionais, tem permitido que cidades do interior assumam papel mais relevante no crescimento do PIB.
O desafio, daqui para frente, será transformar esse avanço em desenvolvimento sustentável, com diversificação produtiva, geração de empregos de qualidade e redução das desigualdades regionais. Os números mostram que o interior de Pernambuco deixou de ser coadjuvante e passou a ocupar o centro das transformações econômicas do Estado.
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