Quase metade dos brasileiros completam renda com bicos, aponta pesquisa

(Foto: CDC/Unsplash)

Estudo revela que 45% dos brasileiros com 16 anos ou mais precisaram fazer atividades extras.

Um levantamento realizado pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), empresa fundada por executivos que respondiam pelo extinto Ibope Inteligência, revelou que 45% dos brasileiros com 16 anos de idade ou mais precisaram fazer atividades extras nos últimos 12 meses para complementar a renda. O número é equivalente a mais de 76 milhões de habitantes.

A pesquisa “Cidades Sustentáveis: Desigualdades”, encomendada pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS), teve como objetivo revelar dados da percepção da população sobre questões sociais, de raça, gênero e de orientação sexual. A instituição entrevistou 2 mil pessoas em 128 municípios do país, entre 1º e 5 de abril de 2022.

Em nota, o ICS explica que os resultados da pesquisa apontam para um quadro preocupante em relação à ODS 10, que estabelece dez metas para a redução das desigualdades dentro dos países e também entre eles. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), são estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

“Os dados da pesquisa revelam que a maioria expressiva da população brasileira consegue perceber o aumento da pobreza no país, além de observar uma grande vulnerabilidade em relação às minorias sociais, como negros, mulheres e pessoas LGBTQIA+”, diz a nota. 

Maior parte dos bicos são de serviços gerais

Os serviços gerais, como faxinas, manutenção e marido de aluguel, lideram o ranking das atividades mais realizadas, com 13%. Em seguida, está a venda de comida caseira (8%) e roupas e outros artigos usados (6%).

Em relação às regiões brasileiras, o Sudeste apresentou o maior índice de procura pela complementação de renda, com 49% dos habitantes realizando algum tipo de atividade adicional. O Sul do país foi a região com menos necessidade de complementar a renda, com 63% da população não precisando fazer atividades extras.

(Foto: Betto Jr/Correio 24 Horas)
(Foto: Betto Jr/Correio 24 Horas)

Alguns dos entrevistados relataram ter renda adicional realizando mais de uma dessas atividades. Segundo o levantamento, a necessidade de realização de bicos é mais frequente em famílias com renda de até um salário mínimo e entre os evangélicos.

Levantamento evidencia população mais vulnerável

Segundo a pesquisa, 75% dos brasileiros conseguem notar o aumento de pessoas em situação de vulnerabilidade social, avaliando principalmente o crescimento no número de pessoas em situação de fome e pobreza.

Cerca de 34% dos entrevistados dizem ter percebido um aumento na população em situação de rua nos últimos 12 meses, e 29% afirmam ter visto mais pessoas trabalhando nos semáforos e nas ruas. Esse percentual é maior na região Sudeste (84%), especialmente nas capitais (85%) e periferias metropolitanas (84%). Já em cidades com até 50 mil habitantes, o número cai para 57%.

Estudo faz recorte em discriminação de minorias

Além dos resultados crescentes em relação à vulnerabilidade alimentar e econômica para mais de 125 milhões de brasileiros (aproximadamente 75%), a pesquisa também evidenciou números expressivos em relação à diferença no tratamento entre pessoas negras e brancas, principalmente em estabelecimentos comerciais, ambientes escolares e no trabalho.

Na região Nordeste, hospitais e postos de saúde são os locais onde mais se sofre/vê situações de racismo, segundo o estudo. Já nas regiões Norte e Centro-Oeste, o preconceito é mais notado na rua e espaços públicos de convivência. No Sudeste, os locais que lideram o ranking são Shoppings e estabelecimentos comerciais, e no Sul, o tratamento desigual ocorre mais em situações de trabalho, como em processos seletivos.

Ainda segundo o levantamento, as situações de preconceito também acontecem em relação à orientação sexual e ao gênero, com três em cada cinco brasileiros afirmando terem sofrido ou terem visto alguém sofrer esse tipo de discriminação. Dentro desse espectro, 47% das mulheres declararam já ter sofrido algum tipo de assédio, principalmente na rua ou nos transportes públicos.

No geral, o estudo aponta que a situação de vulnerabilidade das minorias sociais é maior nos espaços públicos, onde há mais exposição a agressões verbais e físicas. Em situações que existem uma hierarquia, como no trabalho, também propiciam um abuso de autoridade sobre essas pessoas. De acordo com a pesquisa, a região Sul é a que menos percebe situações de preconceito quanto a raça/cor, orientação sexual ou identidade de gênero.

Acesso a serviços digitais

O resultado da pesquisa apontou ainda que, praticamente, metade da população brasileira não precisou utilizar algum serviço digital nos últimos 12 meses. Dos que precisaram, mais de 1/3 conseguiu realizar algum tipo de serviço pela internet.

A necessidade de utilização de serviço público pela internet é maior entre a população mais instruída, ou que reside nas capitais, de acordo com o levantamento. Para a população mais vulnerável, que precisou utilizar os serviços de benefícios sociais, a maioria se declarou preta ou parda e evangélica.

Instituto Cidades Sustentáveis

O instituto, que tem duas principais iniciativas (Programa Cidades Sustentáveis e Rede Nossa São Paulo), tem como objetivo melhorar a qualidade de vida das pessoas a partir do combate às desigualdades, da promoção dos direitos humanos, da participação social, da transparência e da defesa do meio ambiente.

Desde 2007, a organização alinha suas ações às agendas globais de desenvolvimento sustentável, como os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), anunciados pela ONU em 2015.

A pesquisa completa está disponível no link.


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