Enquanto alguns enxergam vantagem em dias mais claros à noite, outros apontam que, em regiões como Recife, o impacto real pode ser muito tímido.
O horário de verão foi criado para alinhar melhor a luz natural com o consumo de energia: adiantando o relógio, parte da noite viria ainda com claridade, reduzindo o uso de iluminação artificial. Só que, com mudanças nos hábitos, os resultados diminuíram. Hoje, grande parte da energia é gasta no meio da tarde (com ar-condicionado e aparelhos eletrônicos), o que enfraquece a lógica da economia.
No Nordeste, a diferença entre dias mais claros e mais escuros ao longo do ano é pequena, o que reduz ainda mais a eficácia da medida. Por isso, desde 2019, o Brasil suspendeu o horário de verão, avaliando que o benefício não compensava.
Ganhos e limites no comércio
Alguns setores, como bares, restaurantes, lazer e turismo, poderiam ganhar com mais movimento no fim do dia. Pesquisas da Abrasel mostram que mais da metade dos empresários acreditam em vantagens. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) chegou a estimar redução de até 2,9% na demanda máxima de energia em horários de pico, caso o horário fosse retomado.
Mas especialistas lembram que a economia não é uniforme: no Nordeste, por exemplo, os ganhos são quase nulos, já que a variação de luminosidade é menor. Além disso, a medida pode trazer ajustes de rotina, transporte e logística que pesam mais do que os benefícios.
Para Recife, o impacto no comércio seria bem limitado. Paulo Monteiro, diretor institucional da CDL Recife, resume:
“No nosso estado os dias têm pouca variação de luminosidade. O impacto direto no comércio é pequeno. Bares, restaurantes e lazer até poderiam se beneficiar, mas de forma restrita. Por isso, não somos favoráveis à adoção do horário de verão na cidade.”
Essa visão se alinha aos estudos que mostram que, perto da linha do Equador, a medida gera pouco efeito prático.
E no Recife, vale a pena?
O horário de verão pode ajudar em alguns pontos no Sul e Sudeste, mas em Recife os ganhos são considerados mínimos. Para o comércio, a expectativa é de que bares e lazer sintam algum reflexo positivo, mas sem impacto geral significativo.
Por enquanto, o governo já descartou o retorno da medida em 2025, já que o sistema elétrico está em situação confortável.
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