Cartão de crédito lidera o ranking dos vilões e renda das famílias segue cada vez mais apertada.
Imagine abrir a carteira, ver o cartão de crédito e sentir aquele frio na barriga. Essa é a realidade de mais de 423 mil famílias recifenses, que hoje convivem com algum tipo de dívida. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Fecomércio-PE, e mostram que o mês de agosto trouxe um alerta: 5 mil famílias a mais entraram na inadimplência, ou seja, passaram a atrasar contas e não conseguiram pagar os compromissos em dia.
O peso do cartão de crédito nas dívidas
O cartão de crédito, que muitas vezes é visto como um aliado para parcelar compras e aliviar o orçamento do mês, tornou-se o maior vilão do endividamento no Recife. De acordo com a pesquisa da Fecomércio-PE, ele está presente em 91% das famílias endividadas, seguido pelos carnês (28,3%) e pelo financiamento de veículos (7,1%). A facilidade em “passar o cartão” acaba atraente em um primeiro momento, mas o problema aparece quando a fatura não pode ser paga integralmente. Nesse caso, os juros do rotativo — entre os mais altos do mercado — fazem com que uma dívida relativamente pequena se transforme em uma bola de neve em questão de meses.
Esse efeito já se reflete nos números. Em agosto, 26% das famílias recifenses estavam com contas em atraso, o que corresponde a cerca de 137 mil lares. O atraso médio é de 62 dias, ou seja, dois meses sem conseguir quitar os compromissos. Mais preocupante ainda é que 14% dessas famílias afirmam não ter condições de pagar o que já devem, o que indica um ciclo de inadimplência difícil de ser quebrado.
Na prática, essa realidade não afeta apenas quem está endividado, mas também o comércio e os serviços locais. Quando quase um terço da renda familiar (29,2%) está comprometida apenas com dívidas, sobra pouco espaço para consumo no dia a dia, o que reduz o movimento das lojas, limita novos investimentos e pressiona toda a economia da cidade. Ou seja: o cartão de crédito pode até ajudar em momentos pontuais, mas, quando usado sem planejamento, transforma-se em um peso que corrói não só a renda das famílias, mas também a vitalidade do comércio recifense.
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