Novo balanço mostra queda histórica da desigualdade nas metrópoles, com ganhos mais expressivos entre os 40% mais pobres
Em 2024, o Brasil registrou um movimento simbólico: a desigualdade de renda nas suas metrópoles caiu para um nível recorde. Mas isso não significa que os problemas desapareceram — para muitos, a sensação de que “tudo continua caro” permanece firme. Nesta matéria, vamos mostrar como essa melhora é real, quem ganhou mais, onde as diferenças ainda persistem — e o que isso pode dizer para quem vive nas cidades.
Quando “menos desigual” ainda é desigual
O índice de Gini mede o grau de desigualdade: vai de 0 (distribuição perfeita) a 1 (máxima desigualdade). Quando ele cai, significa que a renda está sendo distribuída de forma um pouco mais equilibrada.
Nas metrópoles brasileiras, o índice caiu para 0,534, o menor nível já registrado. Isso mostra que, embora ainda tenhamos uma desigualdade alta, a concentração de renda está diminuindo.
Esse movimento acompanha o cenário nacional: o Gini do rendimento domiciliar per capita foi de 0,506 em 2024, também o menor da série histórica.
Quem mais ganhou e quem ainda carrega o peso
Os 40% mais pobres da população foram os que mais registraram aumento de renda. Isso significa que o topo da pirâmide continuou crescendo, mas a base ganhou terreno mais rápido.
A parcela mais rica também teve aumento de renda, mas em ritmo menor. No panorama geral, os 10% mais ricos ainda recebem 13,4 vezes mais que os 40% mais pobres — uma diferença enorme, embora menor que em anos anteriores.
A desigualdade entre o 1% mais rico e o restante também diminuiu um pouco: em 2024, os mais ricos recebiam 36 vezes o que os 40% mais pobres ganhavam. Ainda é uma diferença expressiva, mas representa um avanço em relação ao passado.
Apesar disso, a taxa de pobreza monetária nas metrópoles ainda gira em torno de 20% — ou seja, quase uma em cada cinco pessoas vive com renda muito limitada.
O que ainda falta e por que não dá para “comemorar” simplesmente?
Mesmo com a melhora, o índice de Gini ainda acima de 0,5 mostra que a desigualdade brasileira continua em um nível alto. Ou seja: o país avançou, mas ainda há muito caminho pela frente.
A diferença entre ricos e pobres segue marcante — e para milhões de pessoas, a desigualdade ainda se traduz em dificuldades diárias, seja na alimentação, no transporte, na saúde ou no acesso à educação de qualidade.
Além disso, o avanço não é igual em todo o país: algumas regiões progrediram mais rápido, enquanto outras ainda enfrentam um ritmo lento de recuperação.
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