Diferença de preços entre regiões acende alerta sobre desigualdades no consumo e compromete quase metade do salário mínimo.
O mês de março trouxe um susto para quem foi às compras em Pernambuco. A cesta básica – que é o conjunto de produtos essenciais para alimentação, limpeza e higiene – ficou mais cara e chegou a custar, em média, R$ 702,71, o maior valor do ano até agora. Isso significa que quase metade do salário mínimo está sendo gasto só para garantir o básico do mês.
Tudo subiu: da feira ao material de limpeza
De acordo com o Procon de Pernambuco, o aumento foi percebido em vários produtos. Por exemplo:
- Um pacote de fubá de milho (500g) pode custar R$ 0,99 em um lugar, mas chega a R$ 4,49 em outro.
- A batata inglesa, muito usada no dia a dia, varia entre R$ 2,69 e R$ 8,99 o quilo.
- A banana pacovan, comum no café da manhã, vai de R$ 2,69 até R$ 7,98.
Mas não foi só comida que ficou mais cara.
- Um pacote de absorventes pode ser encontrado por R$ 1,45, mas em outros lugares chega a R$ 6,45.
- Um sabonete comum custa entre R$ 0,98 e R$ 3,88.
- O sabão em pó (500g) varia de R$ 1,09 até R$ 5,09.
Essas diferenças mostram que quem tem mais opções de mercados consegue pagar menos. Já quem mora em bairros afastados ou em cidades pequenas acaba pagando mais caro.
Interior também sente o peso
Mesmo que a pesquisa tenha sido feita só em cinco cidades da Região Metropolitana (Recife, Olinda, Jaboatão, Camaragibe e Paulista), a situação é parecida em outras partes de Pernambuco.
Moradores de cidades como Caruaru, Petrolina, Garanhuns, Arcoverde e tantas outras também têm percebido que a feira está saindo cada vez mais cara. No interior, muitas vezes não há muitas opções de onde comprar, e isso faz os preços subirem ainda mais.
Além disso, a renda costuma ser mais baixa nessas regiões. Muita gente depende de um único salário mínimo para sustentar a família, e com a cesta básica custando mais de R$ 700, sobra pouco dinheiro para o restante das despesas do mês.
Por que isso acontece?
Vários fatores podem fazer os preços subirem:
- Aumento nos custos de transporte, energia e produção.
- Problemas com colheitas ou com o clima (como seca ou chuva demais).
- Falta de concorrência em algumas cidades, onde só tem um ou dois mercados.
E agora?
Com tudo mais caro, é importante pesquisar os preços antes de comprar e evitar desperdícios em casa. Mas o problema é maior e precisa ser olhado pelas autoridades.
É preciso criar políticas que ajudem a equilibrar os preços em todo o estado, melhorar o transporte dos alimentos, incentivar a produção local e abrir mais opções de comércio, principalmente no interior.
Enquanto isso, as famílias pernambucanas seguem fazendo malabarismo para fechar as contas do mês.
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